Viveiro florestal da Petrobras no Comperj está abandonado

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Criado há cinco anos como contrapartida da Petrobras para minimizar os impactos ambientais gerados pelo Comperj, o viveiro florestal, em Itaboraí, está completamente devastado. Vídeo obtido pelo DIA, produzido por ambientalistas, mostra milhares de mudas de espécies nativas, em canteiros suspensos, totalmente ressecadas, sem chance alguma de ser replantadas. Em nota, a Petrobras e o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) admitiram o problema e prometeram providências.

Resultado de um termo de compromisso (TAC) assinado pela empresa junto à Secretaria estadual do Ambiente e ao Inea, o berçário gigante ocupa 4.584 hectares, área equivalente a 780 campos de futebol, maior que o Parque Nacional da Tijuca (3.953 hectares). Ao custo de R$ 100 milhões, o objetivo era produzir ali, até 2020, sete milhões de árvores de 80 espécies da Mata Atlântica, incluindo exemplares raros como pau-brasil, jacarandá e ipês, para a restauração de áreas internas e arredores do Comperj.

A demissão, há quatro meses, de 300 trabalhadores ligados às empresas Vereda, Dédulos, Acácia Amarela e Educa Mata Atlântica, que cuidavam do reflorestamento teria desencadeado o abandono do local, o que pode comprometer as metas estabelecidas no acordo entre Petrobras e governo do estado. O plantio das mudas é um dos condicionantes para a emissão de licença ambiental. Sem os trabalhadores, parte do viveiro pegou fogo duas vezes este ano, destruindo mais de 500 mil mudas. Sem segurança, vândalos roubaram as bombas d’água utilizadas na irrigação das plantas.

‘Meta Olímpica’ de plantio ainda longe de ser alcançada
Do total de 7 milhões de árvores que a Petrobras se comprometeu em plantar com a construção do Comperj, pouco mais de 800 mil mudas de Mata Atlântica teriam sido produzidas no viveiro de Itaboraí. O reflorestamento é feito ao longo das margens dos rios Macacu e Caceribu.

A chamada ‘Meta Olímpica’, estipulada por estudo da Consultoria MGM Innova — contratada pela Secretaria e Inea —, fez avaliações de emissões de gases de efeito estufa que deverão ocorrer em função da Olimpíada. A expectativa é que a competição gere cerca de 3,5 milhões de toneladas de gases. Ano passado a contagem estava em 6 milhões de plantas produzidas no estado.

O governo estadual estabeleceu o plantio de 18 milhões de árvores para minimizar danos ao meio ambiente. O site ‘Contador de Árvores’, criado para o cidadão acompanhar o reflorestamento, porém, apresenta falhas constantes de acesso.

Inea diz que estatal foi autuada
A Petrobras argumentou que prevê para o primeiro bimestre de 2016 um edital de licitação para retomar os serviços de restauração florestal no local. Em nota, informou que para melhor aproveitar as mudas e minimizar a perda, está adotando “medidas mitigadoras”, como a utilização dessas mudas em outros projetos.

O Inea garantiu que acompanha o cumprimento do acordo. “Nas últimas vistorias foi constatado o atraso no cumprimento do TAC, relativos à restauração florestal, motivo pelo qual a empresa foi notificada e autuada”, assegura a nota, sem, no entanto detalhar quando a autuação foi feita e sem mencionar valores.

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