Contribuição do setor florestal pode manter PIB em 2016

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Jefferson-MendesNa avaliação do diretor da área de Consultoria em Negócios Florestais da Pöyry, Jefferson Mendes, apesar do contraciclo da economia brasileira, o setor florestal teve um bom desempenho em 2015. “Mesmo com a crise nacional, o setor florestal apresentou indicadores positivos no ano passado, comparado à geração de valor para a economia, principalmente por ser fortemente exportador”.

Para 2016, Mendes aposta que o setor continuará tendo um “PIB florestal” positivo, mas aquém de seu potencial. “Os segmentos de celulose, serrados e laminados manterão ou melhorarão a competitividade. Contudo, as indústrias de painéis reconstituídos e de carvão continuarão sofrendo devido à sua alta dependência do ambiente de negócios brasileiro”, prevê.

O segmento de celulose, que historicamente é muito competitivo, foi favorecido pela desvalorização cambial, assim como os segmentos de serrados e laminados, que também se beneficiaram, porém em uma menor proporção. “A desvalorização do real frente ao dólar, da ordem de 40% a 45%, permitiu que os setores de serrados e laminados se tornassem competitivos novamente, apesar de não terem capturado toda a variação cambial.

Já a indústria de celulose vive um bom momento, pois toda a variação cambial criou valor”, explica Mendes. Já os segmentos de carvão e de painéis reconstituídos (MDF/MDP) foram atingidos pela crise econômica brasileira. “A forte retração da indústria siderúrgica afetou a cadeia de produção de carvão vegetal, assim como a crise no setor de construção civil influenciou negativamente a venda de painéis reconstituídos”.

Estudos realizados pela Consultoria em Negócios Florestais da Pöyry revelam que, no curto prazo, a indústria de painéis reconstituídos tem sérios desafios para manter seu desempenho habitual de circulação. Entre os pontos de atenção identificados, Mendes destaca a atual capacidade ociosa, entre 20% e 40%, decorrente da acentuada desaceleração por habitação; a necessidade de tornar realidade o aumento previsto da capacidade de produção (+3,7 milhões de m3 até 2020, ou o equivalente a uma taxa anual de crescimento de 6,2%); a questão da canibalização do MDP pelo MDF; e os desafios de competitividade para exportar painéis, principalmente os custos de logística. Para Mendes, além de reduzir os custos de produção, o setor precisa ter presença internacional, principalmente nas Américas do norte e Central.

Em relação à industria de florestas plantadas, o diretor da Pöyry destaca que o excesso de oferta, aliado aos baixos preços, foram fatores importantes para um ano de dificuldades. “A silvicultura está desmotivada devido ao planejamento não fundamentado na dinâmica de mercado no longo prazo”, avalia Mendes.

Biorrefinarias – Ainda pouco desenvolvida no Brasil, uma nova indústria de madeira começa a ganhar destaque na Europa e nos Estados Unidos, e o desafio nos próximos anos, segundo Mendes, será caminhar, rapidamente, para acompanhar esse desenvolvimento. “O conceito de biorrefinarias já está se tornando uma realidade, suprindo o mercado com novos produtos à base de lignina, nanocelulose, bio-óleos, bioquímicos e biomassa para geração de energia, entre outros. As fábricas de celulose de amanhã, mesmo as que já estão sendo construídas, devem ser conceitualmente projetadas para a expansão de novos produtos”, alerta.

Já para o segmento de silvicultural, de uma maneira geral, os produtores continuarão a ter um desempenho neutro ou negativo. “Esta é nossa maior preocupação, pois é a silvicultura que fundamenta a indústria de base florestal. Se não houver uma reação no curto prazo, veremos o impacto negativo no médio e longo prazos”, finaliza.

Ainda em relação à silvicultura, o excedente de estoque e oferta sustentável em alguns pólos abre uma importante janela de oportunidade: novos empreendimentos industriais de alta tecnologia e escala de produção. “A Pöyry já vem desenhando soluções estratégicas para esse contexto”, afirma Mendes.

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