Geração de energia com biomassa

0
1650

A contratação de energia gerada em termelétricas movidas a cavacos de madeira nos últimos leilões realizados pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) vem consolidando uma nova tendência no setor de florestas cultivadas. Foram contratados 316,8 MWh no ano de 2013\2014, com início de fornecimento em 2018, e 328 MWh no ano de 2014, com início de fornecimento em 2019. Totalizando-se 644,8 MWh de capacidade instalada, 628 MWh corresponderam a 4 empreendimentos. Como referência para esta ordem de grandeza, em dezembro de 2014 estavam em funcionamento 46 termelétricas que utilizavam como combustível resíduos de madeira e biomassa, com capacidade total de geração instalada de 359 MWh.

A expectativa de maiores preços para a energia elétrica futura, que se consumada aumentaria a competitividade das fontes alternativas, é decorrente de um cenário predominante de incertezas para a capacidade de suprimento de geração das fontes tradicionais, de forma especial, a hídrica. Esta situação foi assumida pelo Governo Federal no Balanço Energético Nacional, publicado anualmente pelo Ministério da Minas e Energia, onde foi apresentado na versão de 2014 o decréscimo da geração de energia hidrelétrica na matriz brasileira de 68,9% em 2013, para 59,7% em 2023.

Em parte, a expectativa por maiores preços para a energia elétrica a partir da biomassa tornou-se realidade no último leilão da ANEEL. A energia gerada utilizando-se como combustível bagaço de cana e cavacos de madeira foi contratada no leilão realizado no ano de 2013 na ordem de R$135,00 o MWh. Já no leilão de 2014, realizado no final do mês de novembro, os preços situaram-se entre R$197,00 a R$207,00 o MWh, sendo o último valor para a energia elétrica com cavaco de madeira, o que significou um ágio de 53%.

Estudos técnicos que vêm sendo realizados com apoio da CALDEMA (fabricante de caldeiras de alta pressão com base em biomassa), TGM (fabricante de turbinas) e DE SMET EMPRAL (elaboração e implantação de projetos), tradicionais fornecedores do setor sucroalcooleiro, demonstram ser a geração de energia utilizando-se cavacos de madeira semelhante à geração utilizando-se o bagaço de cana, tanto relacionado ao nível tecnológico, este já consolidado, quanto comparado à escala de energia gerada por unidade termelétrica. Este é um ponto relevante para o setor florestal.

Por outro lado, a demanda futura de carvão vegetal cerca-se também de incertezas. No estado de Minas Gerais, onde concentra-se o maior parque siderúrgico a carvão vegetal brasileiro, após um aumento de demanda nos anos de 2004 e 2005 e forte retração decorrente da crise global de 2008, a demanda encontra-se na ordem de 20 milhões de metros de carvão, patamar dos primeiros anos da década anterior, conforme pode ser observado no Anuário Estatístico 2014 editado pela Associação Mineira de Silvicultura.

Some-se a isso o fato de os produtores independentes de ferro-gusa, maiores responsáveis pela demanda de carvão no estado, estabilizaram seu consumo na ordem de 9 milhões de metros, valor bem abaixo do consumo pré crise, o que impacta de forma negativa a comercialização do carvão, especialmente para os pequenos e médios produtores, seus principais fornecedores.

Nesse cenário, a flexibilização do uso da madeira entre a produção de carvão e a geração de energia elétrica pode, portanto, significar oportunidades para este segmento do setor florestal quando analisado sob o foco de geração em escala técnica e economicamente competitiva. Pode vir a ser especialmente uma alternativa para as grandes empresas florestais produtoras de carvão verticalizadas, à medida que estas podem direcionar parte das suas florestas para a geração de energia elétrica, principalmente as localizadas mais distantes das siderúrgicas, e aproveitar a oferta potencial de carvão no mercado, considerando a perspectiva futura de baixa demanda pelos produtores independentes de ferro-gusa.

Entretanto, investir em termoeletricidade no Brasil tendo como combustível cavacos de madeira continua sendo especialmente uma decisão que prescinde de análises de riscos criteriosas. São muitas as variáveis envolvidas: incertezas quanto ao preço de energia durante o horizonte de operação do empreendimento, envolver alto investimento por megawatt de potência instalada de geração e possuir função específica de produção. Todavia, o futuro parece ser realmente promissor para o setor florestal brasileiro.

Fonte: Biomassa BR

SEM COMENTÁRIOS