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Nelson Barbosa Leite

Já nas primeiras aulas de floresta ou de agronomia ouve-se falar em silvicultura! Trata- se da cultura de árvores. Nenhum destaque para exóticas ou nativas. Nem eucalipto e nem pau-brasil. Árvores!

Os anos da universidade se seguem. De longe, os assuntos mais discutidos, as pesquisas, os professores mais conhecidos, enfim, a silvicultura com espécies exóticas ganham a cena! Há pesquisadores brilhantes, que fazem de tudo para que as pesquisas com espécies nativas sejam lembradas. São verdadeiros heróis! E até conseguem seguidores.

Mas a luta pela sobrevivência é brava. Daí, o estudante se forma, e cai na vida profissional. E outro mundo aparece. Quase só de eucalipto e pinus! Causas, consequências, técnicas de plantio, otimização da produtividade, certificação de procedimentos, etc. Há quem diga que mais de 70% do que se faz no setor florestal está direta ou indiretamente ligado ao cultivo do eucalipto ou do pinus!

Nenhuma surpresa.

É o resultado do apoio financeiro dos grandes consumidores de madeira. Pesquisas para solucionar os problemas da preciosa matéria-prima! O interesse direto e o dinheiro à disposição, é que tornaram a “silvicultura brasileira do metro cúbico” na mais competitiva e avançada, em nível internacional!

Mérito dos competentes profissionais, que souberam usar as oportunidades disponíveis! Cumprimentos a quem fez e a quem financiou!  Mas e a silvicultura com espécies nativas, que é necessária para áreas degradadas, que protege nascentes e  que não se mede pelo metro cúbico? Essa silvicultura de proteção não avança! Seus benefícios, pela dificuldade de serem “transformados em dinheiro ou de fazerem dinheiro”, não atraem investidores. Não há recursos para pesquisas e consequentemente não se abrem oportunidades para o seu desenvolvimento.

Até pesquisas com espécies nativas, que eventualmente, poderiam responder em metros cúbicos não avançam! Há de se destacar, no entanto, o esforço, quase que isolado, de iniciativas como o da SOS Mata Atlântica e outras entidades não governamentais. Gente aguerrida, idealistas, que há anos desenvolvem trabalhos com espécies nativas.

Com certeza, o pouco que se tem, deve-se ao gigantesco esforço de dedicados profissionais. Mas as diferenças entre a silvicultura do metro cúbico e a silvicultura de proteção não param por aí! Qualquer tipo de incentivo, legislação específica, financiamentos, nem pensar.

Mas isso já não causa tanta preocupação! No entanto, há dúvidas cruéis, que merecem reflexão! Essas sim, podem aumentar, ainda mais, a distância entre as diferentes silviculturas. Vejam se não procedem as preocupações:

  1. Quando se fala dos compromissos internacionais assumidos pelo Governo Federal e das promessas de se aumentar os programas de reflorestamento, estamos falando de qual silvicultura?
  2. Quando se fala da responsabilidade institucional do Ministério da Agricultura no comando das políticas públicas para florestas plantadas, estamos falando de qual silvicultura?
  3. Será que a silvicultura de proteção e com forte apelo ambiental, vai ser lembrada no Ministério da Agricultura?

É fácil perceber que há sinais trocados nessa trilha! Vamos torcer para que a silvicultura do metro cúbico continue a se desenvolver e mantenha a sua competitividade. Ainda, temos muitas pendências a serem resolvidas! Mas precisamos encontrar um atalho para que a silvicultura de proteção seja devidamente valorizada.

É uma necessidade de toda a sociedade.

Há muitos benefícios a serem auferidos e precisamos garantir que a qualidade de vida das gerações futuras não dependa do “volume morto”, segundo o “mantra” do Programa Conservador das  Águas, do Município de Extrema – Minas Gerais.

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