O polo moveleiro de Ubá, na Zona da Mata, encolheu. Em consequência da crise econômica nacional, que já dava sinais desde 2014, de lá para cá, a região, que concentra o maior número de fabricantes de móveis do Estado, viu empresas fecharem as portas e vagas de trabalho serem extintas. A redução no número de empregos no período chega a algo próximo de 2,5 mil vagas e o parque local opera em média de 40% de ociosidade atualmente.

O presidente do Sindicato Intermunicipal das Indústrias de Mobiliário de Ubá (Intersid), Aureo Calçado Barbosa, confirmou que, de 2014 até hoje, muitas empresas tiveram que encerras as atividades, mas ele não informou números. Por outro lado, o representante dos fabricantes de móveis da região confirmou que só neste ano, até julho, as vendas recuaram cerca de 15% em relação ao mesmo período do ano passado.

“Ao final de 2014, o polo tinha cerca de 324 empresas e 16 mil empregos diretos. Hoje o número de fabricantes é menor e são 13,5 mil empregos. O mercado já está em crise há três anos”, afirmou Barbosa. Ele confirmou que, neste ano, por exemplo, a Móveis Apolo, tradicional fabricante de móveis local, vencedora de prêmios do setor, paralisou as atividades industriais em Ubá, o que acarretou a demissão de aproximadamente 500 pessoas.

“A situação do polo é a mesma do Brasil e também sofremos as consequências da paralisação do mercado por causa das Olimpíadas. O que é fabricado em Ubá é vendido em todo o País e, por isso, estamos em um processo de estagnação, não temos um horizonte que nos permita fazer um planejamento estratégico”, lamentou o presidente do Intersid.

Ociosidade ­

Entretanto, Barbosa destacou que apesar da ociosidade média atual do parque local chega a 40%, as empresas não estão mais demitindo no ritmo acelerado do ano passado. Segundo ele, os fabricantes ainda fazem pequenos ajustes de quadro, processos produtivos, gestão e redução de custos, mas estão preparados para atender ao mercado com mão de obra qualificada.

Além disso, o polo também está se preparando para voltar a exportar para aproveitar o câmbio favorável. “Estamos com um novo programa de reabilitação para exportações e nos organizando nesse sentido, mas o câmbio está sinalizando que vai cair de novo”, alertou o presidente do Intersid. Ainda de acordo com Barbosa, as vendas do polo alcançam todo o Brasil, mas a maior concentração está na região Sudeste devido a fatores geográficos. “Passada essa crise, acredito que polo estará melhor preparado que no passado para atender ao mercado, com máquinas modernas e mão de obra capacitada. Além disso, o trabalhador também passou a se preocupar mais com a empresa”, disse.

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