Recurso fundamental para a manutenção da vida no planeta, contemplando valores ambientais, econômicos e sociais, a água vem sofrendo nas últimas décadas um processo de queda de disponibilidade e qualidade no mundo todo. De acordo com relatório da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), poderemos ver a redução em 40% das reservas hídricas do mundo até 2030.  O documento proclamado pela ONU reforça que o equilíbrio e o futuro do nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos, ou seja, para termos um futuro com uma perspectiva melhor, precisamos criar soluções urgentes para a mudança deste panorama.

Elizabeth de Carvalhaes, presidente executiva da Ibá – Indústria Brasileira de Árvores

Neste preocupante cenário, a produção de papel brasileiro – com 100% de origem nas árvores plantadas – tem a importante função na restauração de áreas degradadas, contribuindo diretamente para a conservação e melhoria da qualidade dos recursos hídricos, além de outros serviços ambientais.

As florestas interferem positivamente na regulação dos fluxos hídricos das bacias que estão inseridas e na conservação do solo. Quando chove, a copa e o tronco das árvores amortecem o impacto da água no solo, permitindo que a taxa de infiltração seja maior que em um ambiente descampado. Assim, o escoamento superficial da água e a lixiviação – desestruturação física do solo com perda de nutrientes por ação da chuva – diminuem, possibilitando o abastecimento dos lençóis freáticos.

Nas estações chuvosas, as áreas degradadas – com solos muitas vezes compactados e ausência de cobertura vegetal – não absorvem todo o todo volume da água, resultando em um escoamento superficial elevando os níveis dos rios, aumentando a deposição de sedimentos ou assoreamento – fruto da lixiviação – e causando alagamentos. Quando se instala o período de seca neste tipo de terreno, o fluxo dos rios diminui, pois não houve reposição suficiente das águas subterrâneas durante o período de cheia.

Constantemente, a indústria de árvores plantadas aprimora as práticas de manejo e gestão da paisagem, de forma a elevar a eficiência das operações e possibilitar um aumento na produtividade com menor uso de recursos naturais. As plantações em mosaicos – em que as árvores plantadas para fins industriais se intercalam com florestas naturais -, por exemplo, permitem a formação de corredores ecológicos, em uma gestão integrada da paisagem, e proporciona maior regularidade na disponibilidade de recursos hídricos, conservação do solo e perenidade das nascentes de rios. E a manutenção das matas ciliares é fator-chave para a integridade da microbacia hídrica. Além da gestão da paisagem, a escolha de material genético adequado à região e eficientes na transformação de recursos em madeira, contribui para o uso adequado de água, dos nutrientes, além de outros recursos.

A evolução das práticas de manejo pelo setor de árvores plantadas contribui para a conservação e qualidade dos recursos hídricos de toda a bacia hidrográfica em que está fixado. O setor investe continuamente em processos para o monitoramento, análise e gestão das bacias; e o resultado são indicadores ambientais das microbacias que apontam de que forma o manejo florestal interfere nas condições hídricas da região e como determinadas técnicas podem contribuir para a melhoria do ciclo hidrológico.

Com o objetivo de disseminar os benefícios que a indústria de papel traz ao meio ambiente e para a conservação da água, uma equipe de especialistas da Ibá desenvolveu e disponibilizou um detalhado infográfico (1) no site da associação. O documento apresenta a dinâmica do ciclo da água nas árvores, na floresta, na paisagem e na indústria, destacando o sistema de reuso da água em todo o processo produtivo, além de comparar as florestas plantadas do Brasil com distintos tipos florestais em relação à eficiência na produção de biomassa, considerando o volume de água captado.

É certo que, hoje, o setor de árvores plantadas brasileiro – responsável por originar produtos como o papel, os painéis de madeira, a celulose, os pisos laminados e a biomassa – é um dos mais modernos e sustentáveis do mundo, trazendo inúmeras benfeitorias nas esferas econômica, social e, principalmente, ambiental.

Se todos os setores produtivos do País seguirem as boas práticas desta indústria, usando os seus recursos de forma adequada e privilegiando a sustentabilidade, daremos um importante passo para crescer economicamente, ao mesmo tempo em que preservamos a nossa biodiversidade; e a qualidade e a abundância da água no nosso território.

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